Inovação pode ser considerada a base da criação de valor de muitos negócios. Durante a pandemia, temos acompanhado muitas empresas ao redor do mundo acelerando a inovação e digitalização de seus negócios para desafiar o status quo de seus nichos de atuação. A crise de saúde que o mundo enfrenta trouxe uma necessidade real de inovação para aqueles que desejam sobreviver.

Na China, a pauta de inovação já é uma constante dentro dos mais variados setores de negócios. Muitos ainda se impressionam ao perceber que a China, quando comparada com outras potências, possui uma vantagem tecnológica de alguns anos, notadamente no caso do Brasil podemos estimar uma vantagem em cerca de 10 anos.  Alguns modelos de negócio que o mundo ainda experimenta, já podem ser classificados como maduros na China, tais como “Internet +”, Inteligência Artificial, Big Data, e Blockchain.

Em outras palavras, se em um momento anterior a pandemia, a oferta de inovação na China era assustadora, pós-mundo COVID-19 será ainda mais impressionante. O distanciamento físico tem acelerado inovações em negócios que visam atender as necessidades do mundo em isolamento.

Vejamos, por exemplo, o caso do Ping An Good Doctor, a maior plataforma de assistência médica da China, que entendeu que para um aumento de tráfico de usuários em sua plataforma seria necessário fornecer informações em seu aplicativo para atualizações e aconselhamentos relacionados à COVID-19. O projeto foi tão bem-sucedido que, durante o isolamento, a plataforma foi acessada mais de 1,1 bilhão de vezes em apenas 20 dias. Os números foram tão impressionantes que gigantes como Baidu, JD, and Tencent igualmente seguiram a estratégia do aumento de fluxo.

Com efeito, podemos citar também o caso da empresa Beike, uma plataforma online de locação imobiliária, que oferece uma experiência de tours virtuais por meio de aparelhos de realidade virtual (VR). Somente durante a pandemia, a empresa teve mais de 10 milhões de exibições de propriedades por meio de aparelhos VR, estes tours eram disponibilizados aos potenciais compradores em isolamento durante o lockdown.  Em termos econômicos, a empresa reportou, em março de 2020, um aumento expressivo de 35 vezes o número de exibições em comparação com março de 2019.

Na linha dos casos expostos, outro leading case foi a plataforma de recrutamento Veryeast.cn que, durante o isolamento, criativamente inovou ao permitir que as empresas de turismo, gravemente atingidas pelos efeitos do Covid-19, pudessem “compartilhar”  seus funcionários com empresas que tiveram crescimento exponencial durante o isolamento, tais como empresas dos setores de logística. Ao “compartilhar” estes funcionários temporariamente as empresas de turismo tiveram uma redução de custos trabalhistas, em outros termos, puderam ter um alívio, enquanto seus negócios se mantivessem ativos. Ao passo que a empresa de recrutamento, pode agregar valor ao seu negócio por meio da inovação.

Em meio aos desafios de fluxos de caixa, estas empresas seguiram a tendência de agregar valor aos seus produtos por meio da inovação enquanto minimizavam os custos de seus negócios. Além disso, recorreram às ferramentas de tecnologia com vistas a aprimorar seus negócios. Muitos são os casos de empresas que recorreram aos modelos analíticos de Big Data, projetando ajustes de informações necessárias aos seus negócios durante a pandemia, enquanto incrementavam os produtos já existentes e/ou desenvolviam novos negócios. Vale ressaltar que manter a alta performance durante períodos de trabalho remoto foi fator preponderante ao sucesso destas companhias.

Deste modo, enquanto milhares de empresas enfrentam a falência na China pós-lockdown, outras, surpreendentemente, emergem mais fortes do que nunca por meio da única chance de sobrevivência que possuem: inovação. Assim, à medida que o resto do mundo ensaia passos para voltar ao normal, a China se prepara para ser uma verdadeira sala de aula para a pauta de inovação por meio de seus modelos de negócios inovadores que desafiam o status quo de mercados estagnados e agregam valor ao mundo pós-COVID-19.

Fonte: Harvard Business Review Brasil