Em busca de conquistar espaços nos mais diversos âmbitos e setores, mesmo sendo maioria no país (51,7%), no mercado financeiro, as mulheres ainda continuam sendo minoria.

Mesmo com as dificuldades em lidar com o preconceito do setor – considerado masculino –  com o passar dos anos, o interesse das mulheres público por essa área, passou a não se resumir apenas em investimentos, hoje, mesmo com a atuação delas já demonstrando crescendo em alguns aspectos, essa participação ainda pode ser chamada de novidade.

No conteúdo a seguir, confira um pouco mais sobre o ingresso das mulheres no mercado financeiro, números dessa atuação, desafios, bem como o papel delas nesse mercado, além de conhecer as influenciadoras desse universo. Boa leitura!

Participação feminina no mercado financeiro

Estampando essa impactante “tradição”, os dados revelados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que, no Brasil, apenas 24% dos investidores da Bolsa de Valores são do sexo feminino.

Ainda de acordo com a mesma pesquisa, quando o tema é investimentos de Tesouro Nacional, a presença desse público também é minoria, mas vem aumentando, sendo a fatia de cerca de 31% representada pelas mulheres.

Além da pesquisa do IBGE, um levantamento feito a partir dos dados das certificações de entidades do setor financeiro, é possível constatar, ainda mais, o baixa presença feminina no mercado financeiro. A seguir, confira os dados de acordo a emissão da Certificação Profissional Anbima:

CPA-10 (considerada de base para a inserção na atividade de distribuição de produtos de investimento), 58% dos profissionais são mulheres.

Na CPA-20 (profissionais que atuam nos segmentos de alta renda das instituições financeiras), 45% dos certificados emitidos para as mulheres.

CEA (Certificação de Especialista em Investimentos Anbima), elas são 35% e eles 65%.

Quando o assunto é planejadores financeiros certificados no Brasil, o número de mulheres ainda continua em baixa

CFP (Certified Financial Planner) conta com apenas 23% de planejadoras. E, na CGA (Certificação de Gestores de Carteiras Anbima), voltada a quem atua na gestão de recursos de terceiros como, por exemplo, fundos e carteiras administradas, apenas 6% são mulheres.

Mulheres no mercado financeiro escolhas e desafios

De acordo com alguns estudiosos, quando o assunto é investimentos, por terem menos segurança e/ou familiaridade com o assunto, o público feminino tende a se sair melhor do que o masculino. Elas se embasam e pesquisar mais, então a probabilidade de ser uma decisão mais ponderada é maior.

Mesmo com todos os aspectos positivos, desde 2002, a bolsa disponibiliza dados por gênero, sendo que pico de investidoras mulheres foi em 2012, quando elas representavam 25,3% do total.

Uma das explicações para a desigualdade de gênero nos investimentos está nas diferenças salariais, mas além desse motivo, outras situações interferem nesse cenário. Acompanhe:

– Mulheres ganham, em média, 22% menos que os homens, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

– A diferença salarial é de 29% para mulheres em posições de diretoria e gerência em relação a seus pares masculinos nas mesmas funções.

– Ausência de referências femininas em cargos de liderança dentro de grandes bancos

– Mulheres que ganham menos do que homens, mesmo atuando no mesmo cargo

– Mulheres negras não são reconhecidas quando o assunto é empreendedorismo; São poucas histórias públicas de prosperidade financeira protagonizadas por elas.

– Pesquisas indicam que assessores financeiros tendem a oferecer produtos mais conservadores e menos sofisticados para o público feminino;

– A taxa de desemprego média entre o público feminino é mais elevada do que entre o público masculino, de acordo com os dados do OCDE e do IBGE.

– Historicamente, quando há um investimento a ser feito, as de decisões ficam muito centradas em homens.

O papel das mulheres no mercado financeiro     

Muriel Siebert ficou conhecida como a primeira mulher do mercado financeiro nos Estados Unidos, sendo a primeira a ter um cargo de importância na Bolsa de Valores de Nova Iorque, além de uma das primeiras mulheres a chefiar uma das firmas-membro da NYSE.

Atualmente, há duas mulheres na liderança de duas Bolsas de Valores de peso, Adena Friedman: presidente e CEO da Nasdaq; e Stacey Cunningham: banqueira, presidente da Bolsa de Valores de Nova Iorque (NYSE).

Considerada um exemplo, Muriel abriu espaço para outras ocuparem cargos de liderança em importantes bolsas nos EUA e, para além disso, fazendo com que outras mulheres atuassem com mais confiança onde os homens continuam sendo maioria.

A seguir, conheça 5 históricas e famosas mulheres – de diferentes gerações – que com seu histórico estão fortalecendo a presença feminina nesse meio. Entre os nomes, temos brasileiras. Confira:

1- Eufrásia Teixeira Leite

Filha de barões de café e aprendeu a lidar com números e dinheiro desde muito nova, é considerada a primeira mulher a investir na Bolsa de Valores brasileira, em 1873, multiplicando a fortuna que havia herdado de seus pais.

Eufrásia nunca se casou. Em contrapartida, chegou a viver na Europa e operar nas principais Bolsas do Mundo, tornando-se uma mas mulheres mais ricas do seu tempo.

2 – Abigail Johnson

Presidente da Fidelity Investments, fundada em 1945 por seu avô, de acordo com a Forbes, Abigail é considerada a sétima mulher mais poderosa do mundo.

3 – Camila Farani

Uma das juradas no Shark Tank Brasil, Camila é especialista em empreendedorismo feminino e hoje é considerada uma das maiores investidoras-anjo do país. Fundou o Mulheres Investidoras Anjo para incentivar o interesse feminino em startups.

4 – Ana Leoni 

Porta-voz da frente de Educação Financeira na Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA), entrou no mercado financeiro em meados dos anos 90, no setor de atendimento de uma rede de cartões de crédito.

Atuou em diversas frentes do mercado financeiro: desde pensar a estratégia de marketing digital para instituições financeiras em um momento em que a internet recém começava a engatinhar, até a gerência de produtos de investimentos em um dos maiores bancos brasileiros na década de 2000.

Formada em Comunicação Social pela UNIP, ensinou que ser um “peixe fora d’água” não precisava ser algo negativo – era, na verdade, uma potência. 

 5 – Luiza Trajano

Na Ibovespa, desde o início de 2020, a maior valorização fica por conta do Magazine Luiza, sempre associada à figura da presidente de seu conselho, Luiza Trajano. As ações MGLU3 subiram praticamente 90%, enquanto o índice caiu quase 15%.

De fato, a presença do sexo feminino no mercado financeiro tem ganhado espaço e está demonstrando aumento, mas se comparada com os homens, ainda é muito baixa. Como visto, mesmo com as dificuldades do setor, há muito tempo elas estão desmistificando esse universo e, dentro e fora do Brasil, servindo de inspiração para outras mulheres!

Referências:

https://valorinveste.globo.com/blogs/ana-leoni/coluna/por-mais-mulheres-no-mercado-financeiro.ghtml

https://warren.com.br/blog/